20.9.08

Hoje, passando pelo Dragoscópio deparei-me com esta publicação; Close to the edge, que por sua vez indica-nos esta página página.

Não há dúvida que o fazer dinheiro de nada, sem produzir algo, ou melhor, produzindo miséria, só pode dar nisto. A criação crise financeira de proporções mundiais, só com inocentes e o Zé povo como pagantes.


19.9.08

Depois do anúncio de manhã de uma intervenção conjugada dos principais bancos centrais do mundo...”

Afinal para que servem e se criam, os bancos centrais? E claro, quantos menos melhor. Mais facilmente são controlados por uns e muito menos controlados por aqueles que agora vão pagar a factura desta crise. Que por acaso até nem foi criada pelos que agora vão surripiar estas esmolas. Claro que ao injectar dinheiro no mercado, cria-se inflação, para depois justificar, que novamente o Zé povo pague, o aumento dos juros.

.

“O que a Reserva Federal não deu com a mão esquerda (baixar a taxa de juro directora, estacionária nos 2%, que mesmo assim está muito abaixo da inflação americana, já em 5,4%), está, generosamente, a dar com a direita de um modo nunca visto: injecção nunca vista de liquidez.”

Troca de mãos?

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“Nascem cada vez menos portugueses

Em 2007, pela primeira vez nos últimos 90 anos, nasceram menos pessoas em Portugal do que aquelas que morreram.”

E MIGHTY GOD comentou; “Nascem cada vez menos Portugueses??? Nada que a legalização do CASAMENTO entre homosexuais nao resolva!!!”

E outro comentador, Bluesky; "ora nem mais!!! Crescei e multiplicai-vos..."


14.8.08

Batalha de Aljubarrota - 14 de Agosto de 1385


24.7.08

“Sobre a decisão de não incuir os incobráveis nos custos regulados, a ERSE justifica que “não pode deixar de considerar que a sua proposta, apesar de tecnicamente correcta e coerente com as melhores práticas europeias regulatórias, não obteve a receptividade necessária para poder vir a ser adoptada”.”


Vitor Santos reconheceu que, nesta matéria, a ERSE foi penalizada pelo "excesso de transparência", porque se tivesse optado por fixar uma margem - que incluíria de forma indeterminada os incobráveis - a polémica não aconteceria.”

“Assim, vai considerar todos os custos identificados, à excepção dos incobráveis, e estipular metas de eficiência.”
- Fiquei agora a saber que os incobráveis são custos de produção...


Jorge Morgado ... Até porque, considerou, à luz do princípio de que são os consumidores que pagam tudo, "é provável" que os custos dos incobráveis já estejam a ser pagos pelos clientes de forma "encapotada".


“A prática de incluir os incobráveis na tarifa dos clientes finais é, segundo Vítor Santos, generalizada em todos os sectores e também no eléctrico em países, tanto com as tarifas liberalizadas, como a Noruega, a Finlândia, o Reino Unido, a Áustria e a Suécia, como nos países com tarifas reguladas como a Irlanda e a Holanda.”


“Os consumidores vão partilhar este risco com a eléctrica.”
Concordo, desde que partilhemos os lucros!


“A Associação de Defesa do Consumidor DECO concorda com o princípio de que os consumidores paguem em regime de partilha as dívidas incobráveis. A sua postura não é diferente no que diz respeito ao fornecimento de electricidade, ainda que não de forma linear: a instituição considera que é necessário aprofundar a natureza e o valor total das dívidas.

«Nunca aceitaríamos que todo o montante fosse transferido para os consumidores. A haver pagamento no tarifário deveria ser partilhado, mas é preciso uma boa justificação», referiu à Agência Financeira o responsável da DECO, Jorge Morgado.

Para além disso, a associação diz-se apenas a favor da partilha de incobráveis residuais, como é o caso da morte de um consumidor. «Não estamos disponíveis para aceitar que os portugueses paguem todo o montante», acrescenta a mesma fonte.”

“A DECO sublinha ainda que os consumidores já «pagam tudo» noutros serviços como banca, seguros e água.”



19.7.08

The American Physical Society, an organization representing nearly 50,000 physicists, has reversed its stance on climate change and is now proclaiming that many of its members disbelieve in human-induced global warming.

Passando pelo revisionismo em linha descobri estas Curiosidades

“...the shoulder patch of the US Army's 45th Infantry division was the Swastika, ...”

“The first German serviceman killed in the war was killed by the Japanese (China, 1937), the first American serviceman killed was killed by the Russians (Finland 1940), the highest ranking American killed was LtGen. Lesley McNair, killed by the US Army Air Corps. So much for allies.”

“German Me-264 bombers were capable of bombing New York City but the Germans thought it wasn't worth the effort.

The Russians destroyed over 500 German aircraft by ramming them in mid-air (they also sometimes cleared minefields by marching over them). "It takes a brave man not to be a hero in the Red Army" - Joseph Stalin.”

4.7.08

Segundo o expresso , o sr Sócrates afirmou, numa entrevista à RTP;

“O Governo não pede nada aos portugueses que eles não tenham que dar.”

As Lysander Spooner wrote in No Treason: The Constitution of No Authority, ". . . whoever desires liberty, should understand these vital facts, viz.: 1. That every man who puts money into the hands of a 'government' (so called), puts into its hands a sword which will be used against him, to extort more money from him, and also to keep him in subjection to its arbitrary will. 2. That those who will take his money, without his consent, in the first place, will use it for his further robbery and enslavement, if he presumes to resist their demands in the future."”

2.7.08

“A Inspecção-Geral de Finanças (IGF), organismo responsável pelo controlo dos gastos públicos, detectou, em 2007, a existência de ‘despesas irregulares com pessoal e outras’ em organismos públicos no valor de 43,5 milhões de euros, um acréscimo de 61 por cento face ao ano anterior. E constatou que foram dados "suplementos remuneratórios e outros abonos sem fundamento legal".”

“O ministro das Finanças assinou ontem, em Maputo, o acordo para o perdão da dívida de Moçambique a Portugal, estimada em quase 266 milhões de euros. Este perdão surge numa altura em que Teixeira dos Santos admitiu a participação financeira portuguesa na construção de silos de cereais em Moçambique, a fim de criar uma reserva para fazer face à crise de alimentos, um projecto de dez milhões de euros.”

Quanto à oportunidade para a formalização do perdão de dívida, o titular da pasta das Finanças lembrou que Portugal »atravessou nos últimos anos algumas dificuldades financeiras« e que só depois de acomodar o défice das contas públicas aos limites impostos por Bruxelas foi possível tomar uma medida que »pesa nas contas públicas portuguesas«.”

13.6.08


“Um dia depois de ter afirmado no Parlamento que a vitória do “sim” era “fundamental” para a sua carreira política,...”


Entretanto Osama Bin Laden fala de Portugal


10.6.08

Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos, mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma.

Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente.

Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado.

E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe”.

(Discurso de Cícero, tribuno romano, 42 a.C.)

9.6.08

Passando pelo revisionismo em linha. Deparei com estes dois curiosos videos




4.6.08

Atrozes mesmo são aqueles não sei quantos biliões que, empanturrados em vacuidade e ninharia, sepultados sob a própria gordura, vegetam e chafurdam na mais indigente, arenosa e movediça das inanições: a mental. E moral.


18.5.08

O livro: A Ficção Científica da Al Gore

Ler também a entrevista dada pelo autor, Marlo Lewis Jr. Muito interessante


25.4.08

Código Penal

TÍTULO V

Dos crimes contra o Estado

CAPÍTULO I

Dos crimes contra a segurança do Estado

SECÇÃO I

Dos crimes contra a soberania nacional

SUBSECÇÃO I

Dos crimes contra a independência e a integridade nacionais

Artigo 308.º

Traição à Pátria

Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania:

a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o

território português ou parte dele; ou

b) Ofender ou puser em perigo a independência do País;

é punido com pena de prisão de dez a vinte anos.

16.4.08

The new job of politicians: Selling fear and nightmares

H. Duthel, BBC 59 min 12 sec - Nov 5, 2006

From Kissingers Global Society, to the Bilderberg Organisation, the Necon's wish to cerate a new World order under the guidance of the United States. From Nixon, Kissinger until George W. Bush, since `Gladio', a state-sponsored terrorist network organisation operating in Europe the Neocon's sees a better world by eliminating 80% of the population as suggested by Henry Kissinger, build a ‘European Union’ under the guidance of the United States or delegates like T. Blair… Today, peoples, citizens are ‘free’, Communist ideologies has failed and right wing politicians or Military Juntas are not seen as ideology or doctrines, as a danger against the Neocon’s. The Bilderberg Group, which includes the richest and must powerful peoples on this globe, from Rothschild to Kissinger (again) from ex Word bank President to European Royal Houses, when they secretly meet, they are protected from all secret services, national polices and don’t be surprised to even the ex Social Democrat Chancellor G. Schroeder between them. The meetings to Bilderberg is like in old days a secret meeting of all Mafia Bosses from around the world, today they are political leaders, Chairman’s, Royal Houses, Prince and Princess and all Bank and Oil business, exempt Arab leaders. What they talk about during their annual meeting? Who will be the next President in this or the other country, where to start the next war, who is next who must be ‘gone’? Since the end of communism, this Group has one goal. World domination under ‘their’, control and rules. Working class? I don’t believe this word will ever be mentioned in any of these meetings.

“... a new World order under the guidance of the United States.” - Não tenho tanta certeza. Apesar desta “coisa”, é interessante.



14.4.08

Terrorismo, o braço armado do coletivismo

por Claudio Andrés Téllez em 16 de junho de 2007

Resumo: Além de aproveitar-se das instabilidades políticas, problemas sócio-econômicos e do apoio de governantes, o terrorismo vive também da publicidade que obtém através da cumplicidade de parte significativa da mídia e da manipulação da opinião pública.

“A própria dinâmica da globalização torna qualquer região do mundo factível de abrigar grupos dedicados a atividades de terrorismo. É nesse sentido que uma lógica estritamente estadocêntrica não é suficiente para dar conta do problema. Mais do que um embate civilizacional, o terrorismo, no século XXI, volta-se contra todo um modo de vida e representa o que poderíamos chamar de “braço armado” de uma complexa estratégia de construção de um mundo alternativo através da recuperação de um ideal de cunho coletivista que exige a aniquilação gradativa das liberdades individuais. Como os Estados Unidos simbolizam o conjunto de valores que identificam o modo de vida a ser suplantado por uma “nova ordem” política, econômica e social, o país torna-se automaticamente o maior alvo dos esforços de contestação vindos de todas as partes do mundo.

Essa contestação deve-se não somente à atual situação norte-americana de potência hegemônica, mas principalmente ao papel que o país ainda desempenha no que diz respeito à tentativa de preservação dos valores e das tradições que constituem o núcleo duro do que podemos entender por “ocidentalidade” – apenas em termos formais, porque o que está em jogo, na verdade, ultrapassa as fronteiras e o significado do “choque de civilizações” de Samuel Huntington.

O terrorismo islâmico, portanto, é apenas parte da História, justamente a parte onde o embate civilizacional fica mais evidente. O pano de fundo ideológico que alimenta os grupos terroristas e as atividades extremistas, contudo, tem a sua origem no holismo que dilui a expressão das individualidades na concepção coletivista que se manifesta, inclusive, na aberração política do totalitarismo.

Além de aproveitar-se da fragilidade institucional, das instabilidades políticas, das mazelas sócio-econômicas e da cumplicidade de alguns governantes, o terrorismo vive também da publicidade que obtém através da cumplicidade de parte significativa da difusão midiática e da manipulação cuidadosa da opinião pública.

Durante os anos da Guerra Fria, os soviéticos utilizavam uma sofisticada estratégia de política externa que integrava a propaganda aberta com técnicas políticas encobertas, que chamavam de “medidas ativas”. Dentre elas, podemos destacar a deturpação de fatos, a calúnia, a fabricação de notícias, a propaganda dissimulada e a prática da desinformação. Essas ações estratégicas, em conjunto, tinham o propósito de induzir a opinião pública mundial à crença de que os norte-americanos promoviam a desestabilização do mundo através do imperialismo belicista, enquanto os soviéticos eram defensores da paz mundial. Ora, toda essa articulação ideológica nos meios informativos e acadêmicos era possível apenas porque os soviéticos concentravam seus esforços principalmente na obtenção de resultados a longo prazo.

Os terroristas, não somente em sua versão islâmica, também consideram mais importantes os efeitos no longo prazo do que a eficácia dos atos isolados, obtêm apoio aberto ou velado dos proponentes do coletivismo e, a exemplo dos soviéticos durante a Guerra Fria, utilizam-se da mídia (principalmente a grande mídia) e dos intelectuais para a sua própria articulação ideológica e para a manipulação sistemática da opinião pública, que absorve cada vez mais as bases do relativismo permissivo.

É por isso que não será possível combater o terrorismo, enquanto braço armado do coletivismo, sem o reconhecimento de nossos valores e de nossa historicidade, sem a recuperação de nossos referenciais de moralidade e de nossa identidade cultural e civilizacional. O resgate de todos esses elementos é necessário para a elaboração de estratégias coordenadas de cooperação internacional, envolvendo tanto o diálogo e a diplomacia quanto o uso da força militar contra as ameaças terroristas, sempre que for necessário.”

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Individualismo, coletivismo, egoísmo e outros ismos
por João Luiz Mauad em 27 de março de 2007

Resumo: Constitui imensa agressão à condição humana a submissão do indivíduo aos propósitos do grupo - seja ele uma raça, uma classe, um Estado - ou mesmo à esta fantasia que se convencionou chamar de "bem comum".

A palavra "individualismo" pode ser empregada de duas maneiras distintas. A primeira - e mais importante - não tem sinonímia e é geralmente utilizada em oposição a "coletivismo". De acordo com o Dicionário Houaiss, individualismo é a "doutrina moral, econômica ou política que valoriza a autonomia individual, em detrimento da hegemonia da coletividade despersonalizada, na busca da liberdade e satisfação das inclinações naturais". O outro significado é meramente lexical, sem qualquer conotação filosófica, política ou econômica, e diz respeito a certa "tendência, atitude de quem revela pouca ou nenhuma solidariedade e busca viver exclusivamente para si; egoísmo".

A simples existência desta segunda acepção é suficiente para provocar inúmeras confusões terminológicas e dificultar o correto entendimento filosófico do individualismo, além de fornecer aos coletivistas material precioso para seus ataques e sofismas, invariavelmente calcados num suposto dualismo entre "individualismo" e "altruísmo", o que, como veremos, é um completo disparate.

Toda a confusão começa com Platão, para quem o individualismo altruísta não seria possível. De acordo com o mais famoso discípulo de Sócrates, a única alternativa ao coletivismo por ele idealizado era o egoísmo. Esse dualismo platônico forneceu aos coletivistas uma arma retórica poderosíssima, pois vincula todo e qualquer oponente doutrinário ao defeito moral do egoísmo, enquanto eles próprios alardeiam para si um pretenso humanitarismo.

Como bem assinalou Karl Popper, Platão sabia muito bem o que estava fazendo ao apontar suas armas para aquele inimigo. De fato, a emancipação do indivíduo viria a ser a grande revolução espiritual que conduziria à queda do tribalismo e iniciaria a ascensão das sociedades abertas. "Foi justamente o individualismo altruísta", diz Popper, "cuja existência era rejeitada por Platão, que formou a doutrina central do Cristianismo e tornou-se a base da civilização ocidental e o âmago de todas as doutrinas éticas que dela originaram".

Bem mais tarde, o individualista Adam Smith cimentou os alicerces do liberalismo clássico quando, ao encampar, esmiuçar e aperfeiçoar a doutrina do "laissez-faire", inferiu, dentre outras coisas, que a prosperidade e a opulência das sociedades dependiam muito mais do esforço de cada indivíduo na busca de seus próprios interesses do que da benevolência desses mesmos homens ou da interferência do Estado nos assuntos econômicos. Numa de suas mais famosas citações, Smith afirma que "todo indivíduo está continuamente empenhado em descobrir os mais vantajosos empregos para os capitais sob seu comando. É o próprio lucro que ele tem em vista, e não o da sociedade. Porém, ao examinar o que melhor lhe convém, ele naturalmente, ou melhor, necessariamente, acaba preferindo aquele emprego que é mais vantajoso para a sociedade".

São diversos os trechos em "A riqueza das nações" onde se encontram citações semelhantes, sempre enfatizando que é pela busca dos próprios interesses, e não pela desejável porém nem sempre presente, virtude da benevolência, que os empreendedores contribuem para a prosperidade das nações.

Estas constatações, se por um lado revolucionaram a forma de enxergar a economia política, de outro forneceram ainda mais munição aos coletivistas, embora Adam Smith jamais tenha feito qualquer glorificação ou demonstrado encantamento por uma suposta virtude do "egoísmo", nem tampouco elaborado qualquer crítica à caridade, à solidariedade, à benevolência ou ao altruísmo, como alguns supõem. Muito pelo contrário.

Tanto na "Riqueza das Nações", quanto na "Teoria dos sentimentos Morais", Smith sempre fez questão de enaltecer aqueles valores. Na TSM, por exemplo, ele nos diz que "todos os membros de uma sociedade humana necessitam de mútua assistência, assim como estão expostos a injúrias mútuas. Onde quer que a necessária assistência seja reciprocamente mantida pelo amor, pela gratidão, pela amizade e pela estima, a sociedade florescerá e será feliz". Num outro trecho ele descarta qualquer forma de maniqueísmo relacionado aos sentimentos, virtudes e vícios humanos, quando afirma: "Por mais egoísta que um homem supostamente possa ser, existem, evidentemente, alguns princípios em sua natureza que o fazem importar-se com a sorte dos demais, tornando a felicidade destes necessária a ele, embora ele não lucre nada com isto, exceto o prazer de assisti-lo".

É notória a falta de parcimônia com que muitos coletivistas costumam deturpar as teorias e doutrinas que lhes são opostas, o que já não causa nem mais espanto. Infelizmente, no entanto, os próprios adeptos dos princípios individualistas costumam, às vezes, "jogar contra o patrimônio". Seja por necessidade retórica, falta de cuidado na escolha das palavras ou mero desconhecimento, alguns de nós, liberais, freqüentemente caímos na armadilha de utilizar a palavra "egoísmo" como sinônimo daquilo que Smith chamava de "own interest", "own care" ou "own convenience".

Com isso, muitas vezes passamos uma imagem do liberalismo diametralmente oposta à verdadeira, pois, com exceção dos discípulos da tão brilhante quanto radical Ayn Rand, adeptos do "objetivismo" - uma variante do liberalismo clássico cuja doutrina está baseada na ética racionalista, numa hipotética "virtude do egoísmo" e na rejeição radical do sacrifício, ainda que voluntário (abnegação), dos próprios desejos ou interesses em razão de qualquer imperativo ético, anseio místico ou princípio religioso -, nenhum teórico ou estudioso do liberalismo jamais foi apologista do "egoísmo".

Outro equívoco bastante comum quando se fala em individualismo é o de vinculá-lo a "isolamento". Nada poderia ser tão evidentemente estúpido para qualquer ser pensante e, mesmo assim, tenho visto muitos espertinhos dispostos a atacar o liberalismo sob o argumento banal de que o homem é um ser eminentemente cooperativo. Esse é um daqueles tipos de argumentação que chega a ser patético, pois ninguém, muito menos um liberal em sã consciência, poderia negar que a cooperação entre os homens e a vida em sociedade produzem tremendos benefícios para os indivíduos. Nenhum liberal jamais questionaria as enormes vantagens da divisão do trabalho, da associação humana, do comércio voluntário ou qualquer outra interação cooperativa.

A benéfica cooperação entre pessoas, utilizada como um meio para a consecução dos objetivos individuais todavia, não pode ser confundida com o infame ideal coletivista que pretende transformar as sociedades humanas em algo semelhante a uma colméia ou formigueiro. Como muito bem colocou o saudoso professor Og Francisco Leme, no magnífico ensaio "Entre os cupins e os homens", enquanto a abelha, a formiga ou o cupim são insetos cujo comportamento é previsível, estando sempre dispostos à permanente renúncia individual em favor da comunidade, bastando-lhes a programação genética sob cujos auspícios nasceram, o homem, ao contrário, é um animal muito mais complexo. Para este, a vida em sociedade significa coexistir com outros indivíduos, todos diferentes entre si, com propósitos pessoais específicos, interesses diversos e, acima de tudo, com a necessidade de compartilhar valores, princípios e objetivos distintos. O drama de qualquer sociedade, portanto, está no fato de indivíduos, biológica e eticamente diferenciados, possuidores de interesses pessoais muitas vezes conflitantes, terem de ajustar-se a uma coexistência pacífica, em seus próprios benefícios.

Assim como é natural que nas sociedades dos animais gregários os indivíduos estejam subordinados aos interesses do "todo", certamente estará destinada ao fracasso qualquer tentativa de organização social fundamentada no pressuposto de que os homens estarão sempre dispostos a abrir mão dos seus interesses particulares e preferências específicas em prol da comunidade. Se é certo, como vimos anteriormente, que muitas vezes os homens estarão propensos a sacrifícios em favor do semelhante, é também evidente que, na maioria das vezes, ele colocará os respectivos interesses e bem-estar em primeiro plano.

Constitui imensa agressão à condição humana a submissão do indivíduo aos propósitos do grupo - seja ele uma raça, uma classe, um Estado - ou mesmo à esta fantasia que se convencionou chamar de "bem comum". São os homens, individualmente, que têm valores, sentimentos, ideais, desejos, ambições, enfim, VIDA. Eis porque a base de toda a filosofia individualista está na crença de que o ser humano é um fim em si mesmo, e não um meio a ser utilizado para fins "maiores". O Estado, ao contrário, não é a personificação do bem, pairando acima dos homens como querem os coletivistas, mas mera instituição criada pelos indivíduos para facilitar a consecução dos seus projetos, mediar conflitos de interesse e zelar pelas suas vidas, liberdades e propriedades.

Nas suas recorrentes escaramuças, conservadores e liberais não raro costumam desferir acusações mútuas de semelhança, proximidade ou identificação de uns e outros com ideologias de caráter coletivista, como o socialismo e o nazismo. Embora válido como estratagema erístico, notadamente para irritar o contendor, tais inferências, vindas de quaisquer dos dois lados, me parecem absolutamente equivocadas, uma vez que ambas são ideologias - leia-se: conjunto de convicções filosóficas, sociais, políticas, econômicas, etc. - cuja fonte doutrinária é o individualismo, enquanto o socialismo ou o nazismo, por tudo que vimos acima, são obviamente coletivistas. É evidente que há diferenças entre liberalismo e conservadorismo, porém não creio que sejam tão marcantes ou inconciliáveis quanto, muitas vezes, se supõe.

© 2007 MidiaSemMascara.org

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Individualismo, coletivismo e egoísmo

por Percival Puggina em 19 de março de 2007

Para o individualismo, uma de suas virtudes consiste em extrair do egoísmo os impulsos do interesse próprio para estimular as atividades econômicas. Entendem seus pensadores que as necessidades humanas são mais plenamente atendidas quando todos buscam suas conveniências afanosa e irrestritamente. Note-se que a experiência o confirma: as pessoas tendem a se dedicar com muito maior afinco ao que pessoalmente lhes convém.

Para o coletivismo, ao contrário, o interesse próprio precisa ser eliminado como condição indispensável a que o interesse coletivo prevaleça. A busca egoística das conveniências individuais, afirmam os coletivistas, estabelece a prevalência dos mais fortes sobre os mais débeis com graves danos à justiça e à harmonia social. Também a experiência mostra ser verdadeiro: na ausência de limites e controles há um claro prejuízo dos mais fracos.

Como admitir-se que duas noções antagônicas possam estar corretas? Onde está, afinal, a razão? Ela não está em qualquer das duas (como revelam as práticas individualistas e coletivistas). O fato de uma e outra fazerem afirmações pontuais corretas não significa que dêem origem a doutrinas que também o sejam. Para encontrar-se a verdade é preciso reconhecer que a pessoa humana é um ser ao mesmo tempo individual e social e que o bem de uma sociedade e de seus membros não pode ser atendido por uma ordem que desconheça essa dupla condição. Assim, o Estado não existe para garantir os espaços do egoísmo nem para extinguir o interesse individual. Nem, menos ainda, para nos submeter a um coletivo dominante e paralisante porque os seres humanos não somos abelhas, formigas ou cupins. Temos razão, vontade e liberdade.

Cabe ao Estado, portanto, atuar no sentido de que o interesse de cada um sirva ao bem comum, promovendo relações sociais solidárias. Produzir isso é uma das elevadas funções da atividade política. Retrucava-me alguém, dias atrás: o ser humano é naturalmente egoísta. E eu complementei: e é, também, naturalmente comodista, naturalmente hedonista, naturalmente uma porção de coisas de que não convêm, o que não significa que no confronto natural entre os vícios e as virtudes se deva deixar dominar por aqueles em detrimento destas.

É bom saber, por fim, que assim como o individualismo estimula o egoísmo de cada um, o coletivismo - como a história, amplamente, demonstrou - organiza esse mesmo egoísmo em modelos políticos totalitários. Noutras palavras, embora individualismo e coletivismo sejam dois equívocos, o último resulta infinitamente mais danoso do que o primeiro porque no conjunto de uma sociedade, as forças resultantes do egoísmo individual, em muitos casos, por serem opostas, se anulam. Já no coletivismo, elas se fazem convergentes originando as opressões e o totalitarismo impostos pelo coletivo dominante.

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G. Edward Griffin- On Individualism v Collectivism #1 of 4


G. Edward Griffin- On Individualism v Collectivism #2 of 4


G. Edward Griffin- On Individualism v Collectivism #3 of 4


G. Edward Griffin- On Individualism v Collectivism #4

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